Ainda é possível reaver dinheiro ‘perdido’ da reforma

As grandes diferenças que existem entre os sistemas de aposentação português e suíço contribuíram para que muitos emigrantes portugueses regressassem ao seu país sem a reforma merecida pelos muitos anos de trabalho cumpridos na Suíça.

Sem o saberem, milhares de ex-emigrantes têm dinheiro esquecido na Suíça que ainda pode ser recuperado, seja pelos próprios, seja pelos seus herdeiros. Lino de Jesus Dionísio, emigrante madeirense radicado há 37 anos no país helvético, conhece muito bem esta situação.

“Sempre que um trabalhador mudava de empresa, ou estivesse em situação de desemprego ou regressasse ao país de origem, era necessária a transferência dos fundos de uma caixa de aposentação para a outra”, explica ao Jornal, observando que muitos emigrantes, de várias nacionalidades, não o fizeram, por desconhecimento, pelo que “os montantes acabaram por permanecer em caixas diferentes por esquecimento”.

Lino de Jesus Dionísio mantém uma ligação muito forte à Madeira.

O emigrante natural do Arco de São Jorge, de 60 anos, já representou trabalhadores numa empresa ao nível de assuntos relacionados com a segurança social e caixa de apresentações. “Durante muitos anos, a informação sobre estas questões era transmitida de boca a boca e de forma pouco precisa”, lembra Lino de Jesus Dionísio, justificando assim o desconhecimento que levou muitos emigrantes a não reclamarem os seus direitos na íntegra.

“Estes direitos ainda podem ser reclamados pelos trabalhadores, ou pelos seus familiares, mas o processo só pode ser desencadeado na Suíça”, observa o nosso interlocutor, lembrando que existem empresas que tratam de toda a burocracia na forma de uma prestação de serviço.

O Controlo Federal das Finanças da Suíça revelou recentemente que cerca de 5 mil milhões de euros estão esquecidos em 625 mil caixas de pensões suíças, pertencentes aos estrangeiros de várias nacionalidades que ali trabalharam.

Segundo a empresa ‘SPNow’, citada pela Agência Lusa, “estima-se que 30 a 40% desse montante sejam de pessoas que têm estas contas sem terem conhecimento que as têm”. E tendo em conta o elevado número de portugueses que emigraram para a Suíça e que ali trabalharam desde a introdução da alteração legislativa [em 1985 e que ajudou a aprofundar o desconhecimento sobre o sistema de apresentação helvético], é expectável que o valor dos portugueses “perdido” seja significativo.

O dinheiro vai permanecer indefinidamente nas contas da Suíça até ser reclamado, quer pelos trabalhadores, quer pelos seus herdeiros.

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