Conceição Filomena Rodrigues, também conhecida entre a comunidade portuguesa de São Paulo como o rosto mais jovem das “três meninas da Camacha”, faleceu no passado dia 29 de janeiro, aos 89 anos.
A notícia do falecimento da madeirense, natural do sítio da Igreja, onde nasceu a 3 de outubro de 1932, deixou a comunidade “muito triste”, especialmente os habituais frequentadores da Casa Ilha da Madeira de São Paulo.
“Em todo o seu tempo de vida, a senhora Filomena foi reconhecida pela sua serenidade, amor e dedicação”, lembra Maria Sardinha, conselheira das comunidades madeirenses no Brasil.

“Mãe e esposa amorosa, amiga leal, deixa um legado e grande exemplo para nós, do Grupo de Folclore da Casa Ilha da Madeira Infanto Juvenil de São Paulo. Só pode ter o nosso respeito e gratidão”, acrescenta a machiquense.
A Missa de Sétimo Dia vai ter lugar este domingo, de 6 de fevereiro, na Igreja de Nossa Senhora das Graças, pelas 8h00 locais. Um templo que Conceição Filomena Rodrigues frequentou durante muitos anos em vida e que ajudou a construir, juntamente com a família e amigos, com a organização de festas segundo a tradição madeirense onde era promovida a recolha de fundos.
Lembrada em casa
Filomena integrou a primeira formação do Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha (GFCPC), em 1949, e nunca foi esquecida. Tanto assim é que no dia do seu falecimento, o grupo associou-se ao luto da família e amigos através de uma publicação na sua página oficial no Facebook.
“Deixou-nos esta madrugada Conceição Filomena Rodrigues, o rosto mais jovem que em 1949 integrou o GFCPC com os seus irmãos José Valentim, Cristiano da Paixão, António Valentim, Maria Augusta e Manuel do Faial, família que muito colaborou com o Grupo. Depois da célebre viagem a Espanha, casou e foi viver para o Brasil onde viveu até aos 89 anos de idade”, lê-se na publicação que também serviu para endereçar “sentidas condolências” à família.

A viagem a Espanha marcou todo o grupo e a Filomena em especial, que gostava muito de recordar esse momento, já no Brasil, com as suas conterrâneas Clara Batista (95 anos) e Maria Isabel Gonçalves (93), que lembraram “com carinho presença jovial da pequena de 16 anos, que teve a autorização dos pais de forma especial e foi rodeada de cuidados por todos os elementos do grupo”.
Casar e partir no Vera Cruz
Filomena casou-se a 12 de outubro de 1955 com Antônio de Sá Teixeira de Jesus e, pouco tempo depois, o casal emigrou para o Brasil a bordo do vapor Vera Cruz, o tal navio que transportou para várias latitudes muitas gerações de madeirenses em busca de uma vida melhor.

O casal estabeleceu-se na região norte de São Paulo, conhecida pela forte presença madeirense, onde chegou a possuir uma fábrica, ‘Obras de Vime’, onde Filomena também colaborou com a manufatura de pequenas peças de vime, forros para bolsas de senhora e peças de bordado Madeira.
Filomena e António tiveram três filhos: Valter (1958), Lígia (1961, entretanto falecida) e Flávio (1968). Mas também deixa uma ‘filha de coração’, a Ângela, que adotou, juntamente com o filho mais velho.



