Lesados pedem a Cafôfo prova de “boa-fé” de António Costa

A Associação de Lesados Emigrantes na Venezuela (ALEV) solicitou ao Governo português uma “prova de boa-fé e empenho político” quanto à implementação de uma solução para as “centenas de famílias madeirenses na Venezuela e na África do Sul” que defendem ter sido “vítimas” de práticas de ‘mis-selling’ (vendas negligentes) por parte do Banco Espírito Santo (BES).

O pedido consta de uma carta que foi entregue por Sara Freitas, presidente da ALEV, ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, o madeirense Paulo Cafôfo, durante uma reunião realizada no último sábado na residência oficial do embaixador de Portugal na Venezuela, João Fins do Lago, em Caracas.

Na base da solicitação está um pedido que foi feito à referida associação durante a última reunião do grupo de trabalho constituído pelo Governo da República para tentar dar resposta às pretensões de centenas de famílias que ficaram sem poupanças de uma vida com a falência do BES.

Nesse encontro, que se realizou a 23 de setembro passado, membros do grupo de trabalho informaram a ALEV que precisavam de “recolher informação sobre produtos, emissões, potenciais participantes do Fundo de Recuperação de Créditos, bem como o relatório da Comissão de Peritos da Ordem dos Advogados”, segundo se lê na carta entregue a Paulo Cafôfo.

A associação garantiu que a documentação requerida seria enviada “com brevidade”, até porque foi agendada uma nova reunião para 21 de outubro no Ministério das Finanças, mas não deixou de manifestar “perplexidade pelo facto dessa mesma informação já ter sido enviada para o Governo, CMVM e Banco de Portugal, por diversas vezes”.

O regresso aos trabalhos está previsto para a próxima sexta-feira e contará com a participação da Comissão Liquidatária do BES, algo que não aconteceu nos encontros anteriores. Contudo, a ALEV entende que “o facto de o Governo estar novamente a pedir toda a documentação cria a perceção que o processo será moroso, o que impacta negativamente na expectativa dos nossos associados, que continuam maioritariamente numa situação precária e de grande desespero”.

Neste sentido, a missiva assinada por Sara Freitas sugere que o Governo de António Costa demonstre que “está de boa-fé neste processo” e “à semelhança do que se fez com o Grupo de Lesados do Papel Comercial”, seja também colocada uma “assinatura num memorando público de compromisso entre as partes, na efetiva implementação de uma solução”.

“Esse memorando, para além de constituir prova de boa-fé e empenho político”, que a ALEV “não ousa colocar em causa”, segundo se sublinha na carta, “serviria para tranquilizar milhares de pessoas que ao longo de 7 anos continuam a sobreviver entre o desespero, a esperança e o recurso a manifestações”, defende a associação.

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