Por Edmar Fernandes, em Los Teques
“A interação entre a Madeira e a Venezuela não tem nada de problemático”, assegurou Miguel Albuquerque, ontem, 16 de outubro, em Caracas, no final de uma viagem que começou na ilha de Curaçao.
“Se os nossos concidadãos que estão a residir na Madeira quiserem regressar à Venezuela, acho que devem fazê-lo porque, como costumo dizer, nós somos uma ilha aberta, uma economia aberta e uma sociedade aberta”. Por outro lado, “se a situação estiver boa na Madeira, também é bom para os nossos conterrâneos aqui [Venezuela] residentes”, mencionou, desdramatizando os efeitos da movimentação das populações nos dois sentidos.
Na Venezuela, Albuquerque passou por Caracas, Valencia, Maracay, Barquisimeto e Los Teques e gostou do que viu, porque “relativamente a 2016 a situação económica está melhor, portanto, há mais otimismo na nossa comunidade sobre o futuro, e isso é bom”.
Quanto à visita ao Curaçao, a primeira de um presidente do GR há 25 anos, mostrou-se “muito satisfeito” com a integração da comunidade madeirense, destacando a presença de quadros superiores na administração pública, nas empresas e nos bancos. Assinalou ainda a “festa” realizada com a comunidade da ilha, onde estiveram mais de mil pessoas, como um ponto alto.
TAP e falta de mão-de-obra
O presidente do Governo Regional comentou também a falta de mão de obra que a Madeira está a atravessar, admitindo que em “algumas das áreas tradicionais exigem uma melhor concertação, sobretudo, nos salários”.
“O que se verificou na hotelaria na Madeira é exemplar. Se nós tivermos um bom ano turístico, as pessoas também ganham mais. Evidentemente que se for preciso importar mão de obra para alguns setores, penso que não há nenhum drama”, comentou.
Relativamente à TAP, continua sem compreender como é que não aproveita a ligação para a Venezuela. E teve oportunidade de o dizer à CEO da companhia, Christine Ourmières-Widener, quando esta esteve na Quinta Vigia em setembro e lhe transmitiu que não tinha aviões para a linha. “A TAP já devia ter antecipado os seus voos entre Portugal, Europa e a Madeira, no sentido de liderar este processo e até criar um hub aqui na Venezuela”, disse. “Tem todo o interesse” esse hub porque “não há ligações” para o país, apesar de nas ligações para a américa latina as companhias “ganharem dinheiro”.
Albuquerque já anunciou uma alteração de regulamentos para nomear um outro conselheiro por Barquisimeto. E é um dado adquirido que a escolha vai recair em Martinho Pestana, um dos principais responsáveis pela passagem da caravana presidencial pelo Estado de Lara, zona oeste da Venezuela, muito reconhecido pela comunidade.



