Morreu Marco Paulo, aos 79 anos. O cantor, entre as vozes mais reconhecidas da música popular portuguesa, perdeu a luta contra dois cancros, um no pulmão e outro no fígado.
Foram mais de 50 anos a cantar. A longa carreira musical foi marcada por sucessos e prémios. Entre os grandes êxitos, destaca-se “Eu tenho dois amores”, editado em 1980, que vendeu mais de 195 mil discos.
Marco Paulo – cujo verdadeiro nome era João Simão da Silva – nasceu a 21 de janeiro de 1945 em Mourão, no Alentejo.
Uma legião de mais de cinco milhões de fãs, os mais de 70 discos lançados, um Globo de Ouro e outros 140 prémios valeram-lhe o título de comendador da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído por Marcelo Rebelo de Sousa.
Em nota na página oficial da Presidência, pode ler-se uma nota de condolências: “O presidente da República recebeu com pesar a notícia do falecimento do cantor Marco Paulo, que esteve presente na vida musical portuguesa longas décadas, e apresenta os seus sentimentos à família, amigos e admiradores”.
“Foi vencendo” a doença, assinalou mais tarde Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas, relembrando que Marco Paulo “está na memória” de muitos portugueses.
“Como um desses portugueses e como amigo dele, é com pesar que recebo a notícia, embora já quase esperada, do seu falecimento”, lamentou o presidente.
O primeiro-ministro Luís Montenegro também reagiu, publicando uma nota na rede social X.
Carreira de sucesso
Marco Paulo estreou-se a cantar nas festas de Alenquer com a música “Campanera” de Joselito. No ano seguinte, teve o maestro Nóbrega e Sousa a acompanhá-lo, ao vivo.
Aos 14 anos, entra para o rancho folclórico de Alenquer, onde esteve dois anos como cantor até ir viver para o Barreiro. Apesar de ter nascido no Alentejo, acabou por viver em várias zonas do país, devido à profissão do pai – de Celorico de Basto a Alcabideche, Alenquer e Arcos de Valdevez; fixou-se em 1963 no município do Barreiro.
Nesta altura participou num ensaio da cantora Cidália Meireles e captou atenções. Dez anos depois participou na revista Simplesmente Revista no Teatro Capitólio, com José Viana.Após participar no Festival da Canção da Figueira da Foz com “Vida, Alma e Coração”, conseguindo um terceiro lugar foi convidado por Mário Martins para gravar um disco com a chancela Valentim de Carvalho.
No ano de 1966, são lançados os temas “Não Sei”, “Estive Enamorado”, “O Mal às Vezes é Um Bem” e “Vê”.
Já em 1967 salta para a ribalta com a participação no Festival RTP da Canção com “Sou Tão Feliz” de António Sousa Freitas e Nóbrega e Sousa. Seguiu, entretanto, até à Madeira, onde cantou com Madalena Iglésias.
A partir daí, torna-se cantor profissional.



