“Nem a TAP sabe de nós nem nós sabemos da TAP”

O regresso dos voos da TAP a Caracas foi muito saudado na Venezuela, mas há muito para acertar ainda. Os lamentos fazem-se sentir ao nível das tarifas que são praticadas e à ausência de interlocutores diretos.

O JM Madeira auscultou por estes dias, em diferentes cidades da Venezuela, agentes de viagem e passageiros. Não há quem não esteja satisfeito por se vislumbrar uma luz ao fundo do túnel, com a retoma dos voos TAP, mas será necessário que a companhia aérea portuguesa se interesse por conhecer a realidade atual da Venezuela. Neste momento, ninguém fala com ninguém sobre como melhorar o negócio com vantagens para todas as partes.

Renato Amaral, da agência ‘Bless Viajes’, é um dos profissionais do ramo com conhecimento mais profundo da situação atual. Ao JM, partilhou a sua experiência e conhecimento de diversas situações, retransmitindo também aquilo que muitos passageiros opinam.

“Nem a TAP sabe de nós, nem nós sabemos da TAP”, começa por confessar, convicto que é possível melhorar em todas as frentes.

“Os voos TAP vieram novamente apoiar a comunidade”, refere. “Muitos dos cidadãos da terceira idade e outros por motivo de saúde estavam desesperados por regressar a Portugal sendo uma solução já que era difícil com outras ligações”, disse.

Até há pouco tempo, as alternativas eram apenas a Turkish Airlines, via Istambul, ou as ligações pelo Caribe, com voos regulares, bem como alguns outros por Madrid, autorizados mês a mês, o que não dava possibilidades de ter regressos a longo prazo.

“Com o regresso da TAP, nos próximos seis meses haverá vantagens não só para a nossa Comunidade, mas também para outros destinos  europeus”, declara Renato Amaral, indo direto ao grande problema com as tarifas.

“Apenas os primeiros lugares adquiridos nos voos são de valores aceitáveis”, revela. Depois, as tarifas em classe económica, na ida e volta, chegam quase a 3 mil dólares – denúncia Renato Amaral.

“Os protestos são muitos, como é natural, muitos passageiros continuam a comprar por outras vias, maioritariamente via Santo Domingo (República Dominicana), porque não estão dispostos a pagar esses altos preços”, diz.

Outros passageiros, para pagarem menos, viajam de Caracas a Santo Domingo, deslocam-se 3 horas por terra até Punta Cana para ‘apanhar’ os voos da TAP. No regresso ficam uma noite na República Dominicana por não haver ligações para Caracas.

Renato Amaral considera que a TAP “bem que poderia ter apoiado a Comunidade Portuguesa da Venezuela no destino Santo Domingo (República Dominicana), ou Panamá, como o têm feito outras companhias aéreas europeias.” O agente de viagens considera que a TAP “parece estar divorciada da nossa Comunidade, mas estão a tempo de começar de novo.”

Outro problema é a dificuldade de comunicação. “Passamos horas e horas com o ‘call center’ em Portugal para poder resolver situações banais”.

As agências na Venezuela não têm um interlocutor direto na TAP, a quem possam expor os seus problemas do dia a dia. “Estamos há anos desprotegidos e assim parece que vamos continuar”, lamenta.

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