Novas tecnologias aproximaram diáspora durante a pandemia

Rui Abreu, diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa, reuniu ontem, presencialmente, com os conselheiros da diáspora em Jersey, Bruxelas e nos Estados Unidos da América.

“Nestes últimos dois anos tivemos de nos socorrer muito das novas tecnologias para poder falar com as pessoas e com os nossos madeirenses que residem no estrangeiro”, explicou.

Desta vez, e aproveitando a presença de alguns madeirenses na Região, Rui Abreu recebeu-os no edifício do Governo Regional.

“É um sinal de confiança porque sabemos que este mês de dezembro não foi o ideal em toda a Europa, quer nos EUA”, lembra.

Para o governante, “as pessoas estão já a tentar fazer um pouco da sua vida normal, pensando e antecipando um pouco aquilo que já se começa a falar em todo o mundo que é a passagem de pandemia para endemia”.

“Estamos satisfeitos com o que se está a passar com a comunidade madeirense até agora. Nestes países, não temos situações muito graves”, garante.

Rui Abreu teve, há pouco tempo, a oportunidade de visitar os madeirenses em Jersey, povo satisfeito com a maior mobilidade entre ilhas que existiu durante esta quadra festiva.

“Conseguiu ter 12 voos em dezembro e janeiro (diretos), que é importantíssimo para a mobilidade da nossa comunidade. Isto significa que cerca de 10% da nossa comunidade em Jersey terá vindo à Madeira, é um sinal positivo”, enaltece.

A terminar, o diretor regional reforça que não existem sinais de situações graves na comunidade, apesar de, como em todo lado, existirem situações menos positivas.

Madeirenses devem ter atenção antes de emigrar

José António Gonçalves, conselheiro da diáspora madeirense em Bruxelas, alerta para os riscos que podem existir no recrutamento que existe na Europa.

“Tenham muito cuidado com todas as ofertas que aparecem que parecem fantásticas em termos de trabalho”, realça.

Para o conselheiro é imperativo que nunca se considere a emigração sem “alguma segurança”.

“A Direção Regional das Comunidades pode dar o apoio e formação, ver se os contratos que estão a ser oferecidos são contratos com sustentabilidade antes de partir à aventura”, aconselha.

“Há, efetivamente, muitos empregadores que abusam da situação. Quando a pessoa chega já não dão nada daquilo que prometeram. Há outros que prometem salários que aparentemente parecem ser excelentes em relação àquilo que se recebe na Madeira, mas há que saber com aquele salário como é que podem viver”, continua.

José António Gonçalves lembra que é para isso que existe o conselho da diáspora.

“Sei de casos de pessoas, nomeadamente na Suíça, que ficam impressionados com os salários que podem receber, mas quando lá chegam veem que com esses salários vivem pior do que na Madeira”.

“Nunca é demais deixar um alerta nesse campo”, considera.

Ruas ‘madeirenses’ nos EUA orgulham conselheiro

“A emigração nos EUA assimilou as culturas locais”, considera Leonel Teixeira, conselheiro da diáspora madeirense nos EUA.

O conselheiro recorda que na zona este “temos as grandes festas do Clube Madeirense que é a maior festa portuguesa no mundo”.

“O que a comunidade fez é dar dimensão à comunidade madeirense na América não descurando a sua cultura, mas que os outros apreciem. É isso que se faz nas festas madeirenses”.

Para Leonel Teixeira, “é esta integração que faz da comunidade ter orgulho, por exemplo, no museu do Clube madeirense, que está dentro de um quarteirão onde de um lado está a ‘Madeira Avenue’ e do outro ‘One Funchal Way’”.

“Tudo isso são motivos que nos deixam orgulhosos de sermos madeirenses, há coisas que não se pagam e esses exemplos demonstram o contributo que todas as comunidades deram nos EUA”, enaltece.

Comunidade em Jersey quer mais voos diretos para a Região

“Conseguimos voos para esta quadra de natal. Penso que se as coisas se mantiverem com um número que, de facto, seja possível acrescentar essas viagens”, projeta João Carlos Nunes, conselheiro da diáspora madeirense em Jersey.

O conselheiro espera que “os charter que costumavam ser semanais venham a acontecer novamente”, isto “porque isso dá maior facilidade, porque basta uma viagem para chegar à Madeira”.

Pois “via Londres há dois transbordos, por vezes há atrasos, outras consequências que dificultam as viagens”.

“Penso que após as pessoas terem, agora, a terceira dose, que as coisas vão ter outro impacto e tenho a esperança que a pandemia vá minimizar”, concluiu

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