Pedro de Andrade, madeirense e pequeno empresário em Paris, explicou ao NOTÍCIAS DIÁSPORA que o encerramento do comércio, bares e restaurantes que dura há 4 meses deverá colocar alguns madeirenses em situações mais delicadas.
Pedro de Andrade, empresário madeirense em Paris, é um dos exemplos da emigração proveniente da Pérola do Atlântico. Nascido no Jardim do Mar há 58 anos atrás, acabou por mudar-se para o Funchal aos 4 anos. Aos 8 a ‘aventura’ foi ainda maior.
“Do Funchal emigrámos em 1972 para a França, eu tinha 8 anos. Cheguei cá [Paris] e andei na escola durante vários anos. O primeiro ano foi um bocado complicado para aprender francês e adaptar-se ao país”, confessa.
O madeirense continuou na escola até aos seus 16 anos. Apesar da tenra idade o futuro profissional estava bem definido na cabeça de Pedro de Andrade.
“Entretanto entre os 14 e 16 anos já andava a ir 15 dias à escola e 15 dias a ser eletricista (o grande sonho). Com aquela idade já sabia o que queria fazer”, garantiu.
Hoje, é eletricista, trata da rede informática e eletricidade, sobretudo nos arredores de Paris, em Ormesson-sur-Marne.
“Desde o princípio do ano passado, no mês março, quando tudo começou, tenho uma pequena empresa onde somos entre 12 e 15 pessoas, dependendo dos meses, e quando a covid apareceu nós estivemos fechados durantes dois meses”.
Manter os trabalhadores
Para o empresário, esta pandemia está a ser “bocado complicada”.
“Ainda bem que aqui a França ajudou. Tivemos uma ajuda do estado para permitir continuar a trabalhar. Depois que começámos no mês de maio estivemos sem parar até agora. Muitas atividades pararam mas nós não”, regozijou-se.
Pedro de Andrade manteve os trabalhadores graças ao sistema de “lay-off”, onde, mesmo sem trabalhar, recebem cerca de 80% do ordenado pago pelo Estado.
Covid-19 em Paris
“A situação está um bocado complicada porque aqui em Paris não podemos circular entre regiões, por isso é que eu tive que cancelar a minha viagem até à Madeira no dia 13 de abril. Ia duas semanas até à ilha”, lamentou o madeirense.
O empresário explicou que não tem conhecimento de nenhum caso que envolva madeirenses a passarem dificuldades em consequência das restrições da pandemia. Ainda assim, considera que “deve haver alguns”, isto porque “está muito complicado”.
“Comércio, bares, cafés, restaurantes estão fechados há 4 meses. Devem haver muitos casos complicados, mas nesta altura não vemos ninguém, não falamos com muita gente por isso não sei, nem tenho conhecimento de ninguém que esteja numa situação complicada”, terminou.
Origens sempre na memória
Pedro Andrade, admite que ao atingir “uma determinada idade” recorda cada vez mais os momentos vividos na Pérola do Atlântico.
“Passei muito bons momentos na minha infância. Os anos que passei no Funchal antes de ir para a França foram uma boa recordação”.
O madeirense recordou a visita à terra natal durante o passado mês de outubro durante 15 dias.
“Quando posso e tenho oportunidade vou aí à nossa terra”.
“A Madeira é um tudo. É o tempo, são as pessoas, a família. Já estou cá [França] há 50 anos e nunca me esqueci de onde venho. Aqui nesta zona em Paris temos um grupo folclórico que se chama Flores da Madeira que organiza um arraial. Parece que estamos aí [Madeira]”, disse animado.
Pedro de Andrade nunca esqueceu as suas raízes e a região tão bela de onde é natural, ainda assim, o madeirense confessa um certo encanto por Portugal Continental.
“Tenho um apartamento lá em Leiria, gosto da Nazaré, mas a verdade é que a nossa terra faz falta quando se chega a uma certa idade”, apontou.



